A vida agitada e o dinamismo dos dias atuais exigem de nosso organismo uma maior quantidade de nutrientes para manter-se em bom funcionamento e, na ausência de algum deles, o corpo se desequilibra e deixa de funcionar corretamente. Os alimentos nem sempre são suficientes em qualidade e quantidade para satisfazer a necessidade do organismo, e como resultado, os profissionais de saúde recomendam a complementação da alimentação com nutrientes para compensar a falta dos mesmos em nossos alimentos.
Os alimentos naturais são as principais fontes de micronutrientes para o organismo, tanto os de origem vegetal como animal. No entanto, os alimentos hoje raramente contêm vitaminas, minerais e oligoelementos essenciais suficientes.
Além da biodisponibilidade dos alimentos, outros fatores de risco relacionados à deficiência de alguns minerais e vitaminas incluem a baixa ingestão dietética, necessidades fisiológicas aumentadas em algumas etapas da vida, como gravidez e lactação, privação social e analfabetismo, infecções frequentes com parasitas, diarreias, distúrbios de má absorção, entre outros.
O interesse em desnutrição de micronutrientes aumentou muito nos últimos anos e uma das principais razões é a percepção de que essa desnutrição contribui substancialmente para doenças. Em, 2000, o Word Health Report identificou deficiências do iodo, ferro, vitamina A e zinco como um dos fatores de risco de saúde mais sérios do mundo. Além das manifestações clínicas mais obvias, a desnutrição de micronutrientes é responsável por uma ampla gama de deficiências fisiológicas não específicas, levando a redução da resistência a infecções, distúrbios metabólicos e atrasos ou comprometimento do desenvolvimento físico e psicomotor.
As implicações para a saúde pública da desnutrição de micronutrientes são potencialmente enormes (Allen, Benoist, Dary e Hurrell, 2019).
Em geral, as quatro principais estratégias de intervenção em uso para melhorar os níveis de micronutrientes deficientes na dieta são:
- O aumento da ingestão de alimentos ricos nesses micronutrientes. Ou seja, a diversificação alimentar;
- A administração periódica de doses elevadas desses micronutrientes (suplementação);
- A fortificação de um ou mais itens alimentares comumente consumidos;
- A biofortificação (Lee, Hamer e Eitenmiller, 2000).
Fortificação de alimentos
A fortificação ou enriquecimento de alimentos é um processo de adição de um ou mais nutrientes contidos naturalmente ou não em alimentos processados, com o objetivo de reforçar seu valor nutritivo e prevenir ou corrigir eventuais deficiências nutricionais apresentadas pela população em geral ou de grupos de indivíduos.
Atualmente, a OMS – Organização Mundial da Saúde reconhece quatro categorias de fortificação:
Fortificação universal ou em massa: geralmente ocorre de forma obrigatória e consiste na adição de micronutrientes a alimentos de consumidos pela maioria da população. É indicada em países onde vários grupos populacionais apresentam risco elevado para deficiência de ferro;
Fortificação em mercado aberto: iniciativas das indústrias de alimentos, com o objetivo de agregar maior valor nutricional aos seus produtos;
Fortificação focalizada ou direcionada: que visa o consumo dos alimentos enriquecidos por grupos populacionais de elevado risco de deficiência. Pode ocorrer de forma obrigatória ou voluntária, de acordo com a significância em termos de saúde pública;
Fortificação domiciliar comunitária: tem sido considerada e explorada em países em desenvolvimento. Pode ter sua composição programada e é de fácil aceitação pelo público-alvo. Porém, apresenta ainda custo elevado, diferentemente das outras formas, e requer que a população seja orientada. Neste tipo de fortificação geralmente são adicionados suplementos às refeições.
A fortificação de alimentos é a maneira mais econômica, flexível e socialmente aceitável para melhorar o estado nutricional dos indivíduos nos países em desenvolvimento. A adição de micronutrientes na margarina, no leite, na farinha e em cereais, por exemplo, tem reduzido consideravelmente a ocorrência de deficiências. Idealmente, os alimentos mais consumidos pela maioria dos segmentos da população devem ser escolhidos como veículos de fortificação (Wahlqvist, 2008).